Valentino
Rossi tem um recorde quase impossível de ser batido aqui
no Rio de Janeiro. Ele venceu simplesmente os últimos 7 GPs
aqui realizados, estando invicto – em qualquer das categorias
em que correu – desde 1996 quando fez sua primeira temporada
no mundial e venceu correndo de 125. Vieram em seqüencia mais
uma vitória de 125 em 97, uma de 250 em 99 (não houve
GP em 98, lembram?), duas de 500 em 2000 e 2001, e mais duas de
MotoGP em 2002 e 2003. Com um cartel deste em Jacarepaguá,
os adversários já chegam por aqui pensando no máximo
num segundo lugar.
Realmente o piloto italiano tem uma relação muito
especial com o seletivo circuito carioca de 4.933 metros, ao qual
ele se adapta perfeitamente. Isso, mais a forma carinhosa com que
os cariocas recebem “Il Dottore”, fazem com que ele
se sinta realmente em casa. Aqui ele é tratado como um ídolo
e fica em igualdade de condições com Alex Barros,
mesmo não sendo brasileiro.
Muita gente, principalmente a garotada, vai ao circuito para ver
Valentino Rossi muito mais que para ver a corrida. Até pessoas
que você nunca imaginaria que gostassem de motociclismo se
revelam tremendos torcedores do piloto italiano em época
de GP Rio. Nos arredores do autódromo as camisetas, bonés
e etc..., mais oferecidas são a dele. Assim, não é
a toa que ele sempre faça uma homenagem à cidade e
ao país, como os cabelos pintados de verde e amarelo que
ele trouxe desta vez.
Aliás, uma coisa que me surpreendeu muito, e favoravelmente,
foi o numeroso público de mais de 50.000 pessoas que veio
ao circuito, apesar do dia de sol e calor que fez na cidade e do
preço meio absurdo (R$ 100,00 no mínimo) cobrado.
Fazer um carioca deixar de ir à praia e ainda pagar este
preço é quase um milagre. Coisas do “efeito
Valentino”.
Bom, após este papo inicial vamos ao GP propriamente dito,
onde Valentino – usando a RCV 211 já com peças
2004 – começou a ditar sua lei desde os treinos, cravando
a pole em 1’49.039, mais de 3 décimos mais rápido
que Loris Capirossi. Sete Gibernau e Massimiliano Biaggi –
agora também usando uma RCV oficial – fecharam a primeira
fila, enquanto o nosso Alex Barros teve de se contentar com um modesto
16o lugar, pois teve problemas de corrente quando começava
sua “flying lap”. Alex estava obviamente muito aborrecido
com a situação mas esperava melhorar na corrida perante
seu público, que como sempre o estava apoiando, apesar dos
conhecidos percalços de sua temporada.
Na largada quem pulou na frente foi Capirossi, trazendo na cola
Sete Gibernau, Biaggi, Rossi, um cada vez melhor Nick Hayden (7o
no grid), Troy Bayliss (5o no grid) e o resto do pelotão.
Não demorou duas curvas e Gibernau passou Capirossi –
que estreava uma nova frente em sua Ducati – e, no ato, começou
a abrir vantagem, enquanto Rossi ia se livrando de Biaggi. Logo
depois Rossi passaria também Capirossi e começaria
a perseguição à Gibernau.
Na 3a passagem Rossi encostou no piloto espanhol e começou
então ao seu tradicional jogo de espezinhar o adversário,
enquanto um pouco mais atrás Biaggi e Hayden pressionavam
Capirossi. Um pouco mais atrasado, vinha um terceiro grupo comandado
por Troy Bayliss, que trazia em sua perseguição: Shinya
Nakano, Tohru Ukawa, Makoto Tamada, Carlos Checa, Marco Melandri,
enquanto Barros – com uma moto visivelmente inferior ao resto
– ia perdendo rendimento, chegando a ser ameaçado por
Colin Edwards e sua Aprilia RS Cubo.
Rossi tanto insistiu que, na 7a volta, Gibernau deu uma bobeada
na parte norte do circuito e não teve perdão, pois
o italiano passou e à partir daí foi embora. Num instante
Valentino colocou 2 segundos de vantagem sobre o espanhol, e nessa
tentativa de fuga o italiano acabou cravando a melhor volta da corrida
– e novo recorde de Jacarepaguá para a categoria –
em 1’49.038, à 162.867 km/h, na 10a das 24 voltas da
prova. Gibernau, ciente que não tinha condições
de acompanhar Rossi, achou melhor se contentar com o segundo posto
já que tinha uma vantagem considerável sobre Biaggi
e Hayden, que continuavam em luta serrada entre si, e a esta altura
já haviam ultrapassado Capirossi, que parece ter escolhido
os pneus errados (macios tanto na frente quanto atrás) para
as condições, muito quentes, do circuito.
|
|
Barros
fez o que pôde com a anêmica M1.
|
Bayliss
padecia do mesmo mal de seu companheiro de equipe com o agravante
de não conhecer o circuito. Após passar um bom tempo
em 6o lugar, o australiano já tinha sido ultrapassado por
Ukawa e Tamada, e agora lutava desesperadamente para se manter à
frente de Nakano e Checa, enquanto Melandri ia ficando para trás.
Barros continuava em 12o lugar, com uma M1 que dava pena, mas para
sua sorte Edwards também estava com uma Aprilia sofrível
e ficava cada vez mais atrasado em relação ao brasileiro.
Na metade da prova, com Rossi estabilizado na liderança com
mais de 3 segundos de vantagem sobre Gibernau (que por sua vez tinha
mais de 4 segundos sobre a dupla Biaggi/Hayden), o grande nome da
corrida passou a ser o japonês Makoto Tamada, que saindo da
9a posição do grid e com uma RCV (do time Pramac-Bridgestone)
inferior à todas as outras, veio passando todo mundo e à
esta altura já era o 5o colocado, botando pressão
sobre Biaggi e Hayden, estes com RCV oficiais, superiores a sua
RCV 2002.
A parte final da corrida foi tranqüila para Rossi, que cruzou
a linha de chegada com 3.1 segundos de vantagem sobre um também
tranqüilo Gibernau. O inusitado é que desta vez Valentino
não fez aquele estardalhaço habitual após cada
vitória, se limitando a saldar o público e a dar uma
ou outra empinada, o que de certa forma frustrou um pouco a galera.
Se ao final das 24 voltas não houve grandes emoções
na luta pela vitória, o mesmo não se pode dizer da
disputa pelo 3o lugar. Nas cinco últimas voltas Tamada –
mostrando a evolução dos pneus Bridgestone, que estavam
inteiros mesmo sob aquele calor – encostou em Biaggi e Hayden
e, depois de uma boa briga, passou os dois e partiu no encalço
de Gibernau. Só que já era tarde demais e o máximo
que o japonês conseguiu foi chegar à 4 segundos do
espanhol, o que de qualquer modo foi ótimo para ele, pois
conseguiu o 1o pódio de sua carreira (lembrem-se que ele
é “rookie”). Biaggi manteve o 4o lugar à
duras penas, levando vantagem sobre um cada vez melhor Nick Hayden,
enquanto Capirossi conseguiu um solitário 6o lugar.
A briga pelo 7o lugar também foi boa, pois Nakano, mais uma
vez com a melhor Yamaha, passou Bayliss e, na última volta,
Checa fez o mesmo com o piloto australiano, que estava com os pneus
de sua Desmosedici em frangalhos. Melandri terminou em 11o, quase
10 segundos atrás de seu companheiro de time Fortuna, mas
7 segundos à frente de Barros. O brasileiro conseguiu apenas
um 12o lugar, muito pior que em seus piores pesadelos, mas com o
equipamento que dispunha e com seus conhecidos problemas físicos
até que não foi mal. O negócio para ele é
já começar a pensar em 2004.
Colin Edwards levou a sua também combalida Aprilia à
13a colocação, 14 segundos depois de Barros e um pouco
à frente de seu companheiro de equipe, Noryiuki Haga. O jovem
japonês Ryuchi Kiyonari, companheiro de Gibernau na equipe
Telefônica, ganhou o duelo contra as duas Próton e
a Suzuki (ruim de doer) de Kenny Roberts, conseguindo assim o último
ponto disponível. Andrew Pitt foi o 17o e último a
chegar, com a Kawasaki, continuando com a via-crúcis da verdinha.
John Hopkins teve problemas em sua Suzuki e nem largou, e na lista
dos abandonos estão: Gary McCoy com Kawasaki,, Aoki com Próton
e Burns e De Gea com WCM, todos estes com problemas mecânicos.
Já Olivier Jaque caiu na 7a volta quando navegava p’ra
lá do 15o lugar, tendo sido este o 4o tombo do francês
no fim de semana carioca. O chefe Hervé Poncharal estava
com uma cara...
Com esta sua sexta vitória – a terceira seguida, ainda
não perdeu na segunda fase do campeonato – Valentino
aumentou sua vantagem sobre Gibernau, o único a ainda ter
esperanças de bate-lo, em mais 5 pontos. Agora são
262 pontos contra 211, ou seja, 51 de diferença com 100 ainda
em jogo. Assim sendo, realisticamente falando, vai ser difícil
tirar mais este título do italiano.
Biaggi, com 174, ainda pode almejar a um vice-campeonato, enquanto
Capirossi, com 123, deverá disputar com seu companheiro Troy
Bayliss o 4o lugar final e a primazia de ser o melhor piloto Ducati.
Ukawa está em 6o com 94 pontos, mas muito mais que tentar
ultrapassar a dupla Ducati, o japonês tem de se cuidar da
aproximação de Carlos Checa, com um ponto à
menos e, principalmente, de Nick Hayden, que está com 85
pontos e numa fase ascendente, como já tinha previsto. Nosso
Alex Barros está em nono com 80 pontos e, se conseguir melhorar
daqui para frente, tem possibilidades até de conseguir um
6o lugar final. É difícil mas não impossível.
Nakano está logo atrás com 77 pontos, seguido por
um ascendente Tamada com 69, por um inconstante Jacque com 58, e
por Colin Edwards, com 51 pontos. Haga tem 36 e Melandri é
o 15o com 29. Daí para trás a coisa está feia,
é a terra de Suzukis, Prótons, Kawasakis e etc...
250:
Poggialli vence no erro de Elías
O espanhol Toni Elías conseguiu um acerto perfeito em sua
Aprilia RSW oficial (Team Aspar-Telefônica-Repsol) e dominou
os treinos da quarto-de-litro, marcando a melhor volta em 1’53.457.
A fábrica italiana tinha mais dois pilotos oficiais na 1a
fila: Manuel Poggialli (Team Ms) em 2o e Randy De Punyet (Team LCR-Safilo
Oxido) em quarto. O italiano Roberto Rolfo foi o intruso no meio
das Aprilia, levando sua Honda RSW kit-oficial (Team Fortuna) à
3a posição. O companheiro de Elías, Fonsi Nieto,
largaria em 5o, enquanto o argentino Sebastian Porto colocava a
outra Honda kit-oficial (Team Telefônica Movistar Jr) na sexta
posição de largada.
Dado o sinal verde, Elías não desperdiçou a
pole e foi o mais rápido a arrancar, deixando para trás
Porto, que largou muito bem, Poggialli, Rolfo, De Punyet e o resto
da turma. Nieto largou muito mal e parecia ter problemas mecânicos
pois não estava conseguindo recuperar, mesmo estando num
bolo de motos mais lentas.
|
|
Poggiali
aproveitou-se do erro de Elias para
vencer mais uma vez no Rio, onde se
já sagrou campeão mundial das 125cc.
|
Enquanto
Elías ia se distanciando, a luta pela segunda colocação
entre Porto, Poggialli, Rolfo e Punyet, estava à faca, e
a cada hora era um deles que aparecia na frente. A disputa estava
tão quente, que na 2a volta, Porto – cuja moto parece
ter evoluído nas últimas etapas – tomou um tombaço
na curva do lago após ter dado gás cedo demais na
saída de curva. Com o argentino fora (estás caindo
demais hermano !), sobraram três na disputa pelo segundo lugar.
Continuando na lista de abandonos ilustres: na 3a volta foi Nieto
que saiu por problemas técnicos, enquanto Battaini, também
na 3a passagem, tomou seu tradicional tombo quando tentava tomar
o 5o posto de seu companheiro de Team Campetella-Aprilia, Silvain
Guintoli.
Enquanto isso, Manuel Poggialli conseguiu se livrar da dupla De
Punyet e Rolfo e foi à caça de Elías, que estava
poucos segundos à frente. Nesta perseguição,
na 7a passagem o sanmarinês marcou a melhor volta da prova
em 1’54.215 (à 155.485 km/h), que passa a ser o novo
recorde da categoria. O garoto do Team MS estava diminuindo a desvantagem
rapidamente e, como ainda faltavam 15 voltas para terminar, o público
estava ouriçado, sentindo que logo, logo, veria luta pela
liderança.
Na metade da corrida Poggi já tinha chegado no piloto espanhol,
e à partir daí o que se viu foi o piloto de San Marino
perturbando a tranqüilidade de Elías, esperando pela
melhor oportunidade de ultrapassagem. Ele até conseguiu,
mas como Elías se manteve grudado à sua roda traseira
ele preferiu apostar no pragmatismo e cedeu novamente a ponta à
seu rival.
Um pouco mais atrás – à cerca de 3 segundos
– a disputa entre Punyet e Rolfo continuava acirrada, com
o piloto italiano jogando o mesmo jogo de Poggialli e esperando
uma bobeada do francês. Daí para trás a corrida
não tinha muita história, com Guintoli, Naoki Matsudo
(Yamaha-Kurz), Hector Faubel e Joan Olive (ambos do Aprilia-Aspar
Jr Team), um pouco separados entre si e sem se envolverem em maiores
disputas. O australiano Anthony West (Aprilia-Team Abruzzo), um
dos destaques do campeonato, não largou bem e vinha tendo
dificuldades em levar vantagem sobre Chaz Davies (Aprilia Germany),
Eric Bataille e Alex Debon (estes dois do Team Honda-By Queroseno).
As últimas volta foram de matar o público, que estava
vibrando com a espetacular disputa pela vitória entre Elías
e Poggialli, e também pelo último lugar do pódio
entre Punyet e Rolfo.
Na última volta a temperatura vai às estrêlas
na luta pela liderança, com o espanhol e o sanmarinês
se ultrapassando mutuamente várias vezes. No retão,
Elías aparece na frente mas Poggi, que está grudado,
consegue sair do vácuo e toma a curva sul na frente. O espanhol
não quer ceder e emparelha com Poggi em plena curva (quem
conhece sabe que é quase suicídio) e o resultado é
que ele pega a parte suja, perde a frente de sua Aprilia e cai.
A multidão está em “delirius tremen”,
enquanto o espanholsinho tenta reerguer sua moto, o que até
consegue, mas tarde demais. Ele ainda voltará à corrida
para chegar em 18o lugar.
Deste modo Poggialli cruza a linha de chegada tranqüilo, com
quase 4 segundos de vantagem sobre Rolfo, que por sua vez conseguiu
levar vantagem sobre Punyet à duas voltas do final. O francês
teve problemas de pneus e chegou a perder 8 segundos para seu rival
em apenas duas voltas. Guintoli foi um solitário 4o colocado,
12 segundos atrás de seu conterrâneo, enquanto Matsudo
foi o quinto, mais distante ainda. Faubel fechou em um inédito,
para ele, sexto lugar, 3 segundos à frente de Olive, que
teve de suar para se manter à frente de West, que vinha numa
corrida de recuperação após se livrar de Davies
e sua gang. Em nono chegou Bataille, e na seqüência vieram:
Debon, Erwan Nigon, Johan Stigfeldt, Dirk Heidolf e Jaroslav Hules.
Todos estes últimos a marcarem pontos, fora Debon, estavam
usando Aprilias de times privados.
A vitória para Poggialli foi importante por dois motivos:
primeiro, já fazia muito tempo que ele não ganhava
uma prova, segundo, com esta vitória e mais o tombo de Elías,
ele aumenta para 22 pontos sua vantagem no campeonato sobre o agora
vice-líder, Roberto Rolfo (190 contra 168 pontos). Rolfo,
com seu perfil come-quieto, está fazendo um belíssimo
campeonato e se bobearem com ele...
Punyet também se mantém na luta com 162 pontos, enquanto
Elías deu uma atrasada feia, ficando com 151, o que o deixou
numa posição difícil no campeonato. Agora ele
tem de atacar e seja o que Deus quiser. Nieto, com 143 pontos, está
fora da briga e só um milagre poderá coloca-lo de
volta. Do sexto lugar em diante vem: West com 118 pontos, Battaini
com 117, Porto – que poderia estar bem melhor se não
fossem as bobeiras das duas últimas etapas – com 109,
Guintoli com 88, Matsudo com 86, Debon com 57, Olive, 36 e Faubel,
34. Daí para trás nem vale a pena comentar.
O próximo GP, em Motegi, não é uma pista tão
favorável assim à Aprilia, isso quer dizer que tanto
Rolfo como Porto também tem chances. No mais, vamos ver se
Poggialli consegue aumentar sua vantagem, ou se Rolfo, Punyet e
Elías conseguem uma reaproximação. Esta corrida
promete.
125: A primeira vitória de Lorenzo
Daniel Pedrosa começou bem seu fim-de-semana carioca cravando
a pole em 1’58.052, com sua Honda RS Kit-oficial (Team Telefônica-Movistar
Jr). Seus companheiros de primeira fila foram: Alex De Angelis (Aprilia-Racing
World), Andrea Dovizioso (Honda-CE BA Corse) e Gabor Talmacsi (Aprilia-WWC).
O jovem Jorge Lorenzo (Derbi Racing) vinha em quinto, logo à
frente do vice-líder do certame, Stefano Perugini.
Pedrosa largou na frente, mas trouxe nos seus calcanhares um grupão
de nada menos do que 8 pilotos. Estes eram: De Angelis, Talmacsi,
Casey Stoner (Aprilia-LCR-Safilo Oxido), Hector Barberá e
Pablo Nieto (ambos do Team Aspar Jr-Aprilia), Lorenzo, Dovizioso
e Perugini. O alemão Steve Jenkner (Aprilia-WWC) ficou um
pouco para trás e vinha puxando um segundo pelotão,
aonde estava também Lucio Cechinello (Aprilia-LCR-Safilo
Oxido), que fez uma má largada e não parecia em condições
de recuperar.
|
|
Jorge
Lorenzo venceu um duelo antológico
que chegou a envolver 9 motos.
|
O
piloto do time Telefônica tentou abrir vantagem, tanto que
na terceira volta ele bateu o novo recorde da pista, marcando 1’58.121.
Só que isso não adiantou muito, pois na 5a volta estava
todo mundo grudado outra vez.
A partir da metade das 20 voltas da prova quem comandava as ações
era Casey Stoner (que voltara em Portugal após um tempo no
estaleiro por quebra da clavícola), seguido por Lorenzo,
De Angelis, Nieto e Pedrosa, os 5 separados por apenas meio segundo.
A esta altura, Dovizioso e Perugini tinham ficado para trás,
e mais atrasados ainda ficaram Barberá e Talmacsi.
Nas últimas voltas, Dovizioso e Perugini voltaram a se reaproximar
e a briga passou a ser entre sete. A galera estava na maior animação
vendo os 7 pilotos se degladiando na luta pela vitória, e
a cada vez era um destes que passava na frente do grupo. Na última
volta a chapa esquentou de vez e no retão final vinham 4
malucos emparelhados, com a multidão urrando e apostando
em quem iria sobrar na curva sul. E não é que Lorenzo
apareceu por dentro dos quatro, vindo não se sabe daonde,
freiou trocentos metros após todo mundo e conseguiu segurar
sua Derbi sem cair na sul? Coisa de louco, mas o espanholsinho conseguiu,
sob um ohhhhhh !!! em uníssono da galera que não estava
acreditando no que estava vendo.
As últimas curvas foram de matar, mas Lorenzo segurou a barra
até o fim, conseguindo a primeira vitória de sua jovem
carreira, e a primeira da Derbi após um montão de
tempo. Stoner ainda tentou de tudo mas não conseguiu, e ficou
à 2 décimos de segundo do espanhol, mas muito pressionado
por De Angelis, que ficou à apenas 1 décimo do australiano.
Pedrosa, Nieto, Dovizioso e Perugini vieram na seqüência,
os três separados por apenas 9 décimos. O tempo total
de diferença entre estes 7 primeiros foi de 1segundo e 3
décimos. Isso é que é luta pela vitória.
À quase três segundos dos sete primeiros, chegou Talmacsi,
que levou vantagem sobre Barberá por apenas 3 décimos,
em outra bela batalha. Jenkner veio 11 segundos mais tarde, seguido
por Marco Simoncelli (Aprilia-Matteoni Racing), Gino Borsoi, companheiro
de De Angelis na Racing World, Arnaud Vincent (Aprilia-Fontana Racing/Sterilgarda),
em atuação mais que apagada, Mirko Giansanti (Aprilia-Matteoni
Racing) e Thomaz Luthi (Honda-Elit Grand Prix), estes fechando os
lugares pontuáveis.
Em 16o chegou Alvaro Bautista (Aprilia-Seedorf Racing), atual líder
do campeonato espanhol, seguido por um irreconhecível Lucio
Cechinello e pela dupla da KTM, Roberto Locatelli e Mika Kallio,
que não repetiu suas últimas boas apresentações.
E Emilio Alzamora, companheiro de equipe do vencedor, aonde estava?
Sei lá, sumiu na fila do INSS.
Mesmo não vencendo, Daniel Pedrosa aumentou sua vantagem
no campeonato sobre Perugini, que chegou 3 posições
mais atrás. O espanhol agora tem 188 pontos contra 146 do
veterano italiano, e isso quer dizer que basta ao piloto espanhol
administrar as próximas 4 corridas para colocar seu primeiro
título no bolso. De Angelis é quem está de
olho no vice-campeonato, no mínimo, e com seus últimos
bons resultados, ele já é o 3o com 140 pontos. Dovizioso
vem com 130, seguido por Nieto com 124, Cechinello e Barberá
com 105, Jenkner com 104, Stoner – que está evoluindo
– com 80, Ui – que não pontuou – com 71,
Giansanti com 68, Kallio com 59, Talmacsi com 55, Lorenzo –
que só agora conseguiu fazer a Derbi andar – com 50,
Luthi com 49 e Borsoi com 48. Estes são os 16 melhores classificados
no campeonato.
Um abraço, e até a próxima.
Marco Tulio Bezerra.