Mundial de Motovelocidade 2003
11ª etapa - Estoril, Portugal
por Marco Túlio Bezerra

Taí uma cena que gostaríamos de ver
sempre: Barros à frente de Rossi...

MotoGP - Quem venceu, ora pois? Valentino, ó pá!

Pois é, mais uma vitória de Valentino Rossi e desta vez no complicado circuito do Estoril, em Portugal, onde ele já havia vencido no ano passado. Naquela ocasião foi debaixo de chuva e se aproveitando de um erro do Sete Gibernau – então na Suzuki – que caiu nas últimas voltas lhe deixando a vitória de bandeja. Desta vez foi um pouco diferente e o jovem italiano ganhou com autoridade e sem sustos, usando sua já tradicional tática de cansar o adversário (tanto física, como mecânica e mentalmente), para depois desferir o mortal ataque final sem espaço para réplicas. Foi a primeira vez nessa temporada que um piloto venceu duas provas seguidas.

Vale, que saía da 3ª posição do grid, até que não largou tão mal, cruzando a linha da 1ª volta em 4° lugar. Ele logo passou por Gibernau e Capirossi e ao se iniciar a 2ª passagem ele já tinha Biaggi – que tentava escapar a todo custo – na mira. Na 4ª volta ele grudou na rabeta da Honda RCV Camel-Pons de seu maior rival e a partir daí foi aquele jogo de gato-e-rato já conhecido, com Vale só comboiando seu adversário e esperando o momento oportuno para o ataque.

Este momento chegou quando os dois fecharam a 13ª volta (das 28), com o piloto da Honda RCV Repsol esticando a freada do final do retão o mais que podia, não dando nenhuma chance de defesa à seu compatriota e rival. A partir daí virou espetáculo, com o garoto fazendo algumas voltas no limite – com a RCV oficial quase sempre de lado nas curvas – num ritmo insustentável para Biaggi. Logo o “gap” entre os dois ponteiros subiu para 3.5 segundos e só restava a Valentino controlar a corrida, o que fez com a maestria de sempre, contando também com um equipamento muito bem acertado para este difícil (para ajuste de set-up) circuito português. No fim Valentino recebeu a bandeirada com um pouco mais de 2 segundos de vantagem sobre um já acomodado Biaggi.

Esta vitória (a 5ª dele este ano) fez a pontuação de Rossi subir para 237 pontos, 48 a mais que o vice-líder Sete Gibernau, com 191. Ou seja, mesmo com 125 pontos ainda em jogo o título (mais um) está cada vez mais próximo do fenômeno italiano, é só administrar, até porque acho que Gibernau já começa a mostrar seus limites na reta final, e salvo algo totalmente inesperado, já deu o que tinha que dar. Quanto a Biaggi, com seus 161pontos só lhe resta tentar o vice-campeonato.

É bom lembrar que após o chamado “summer-break", Valentino venceu as duas corridas e vibrou muito mais que o normal dele, quase como um desabafo contra os “críticos” que teimam em atribuir suas vitórias a um suposto equipamento superior. Não se esqueçam que se ele tem direito ao melhor equipamento, é um mérito dele, não caiu do céu. Seria até legal vê-lo correr de Ducati ano que vem contra Biaggi como 1° piloto HRC, aí a máscara do romano ia cair de uma vez...

Bom, falando em Biaggi (que ano que vem vai ter uma RCV “igual” a de Rossi) ele fez uma boa corrida mas não conseguiu deter Valentino, que já tem todas as manhas para passá-lo. É lógico que após a corrida ele lembrou que seu equipamento é inferior e blá blá blá, mas isso é normal nele, um notório chorão. Deveria fazer como Gibernau, que não reclama, corre, e que apesar de não ter a fama e currículo do tetracampeão (94-97) mundial das 250cc, está bem à frente no certame.

E olha que o espanhol corre por uma equipe satélite (a Gresini-Telefônica), que mesmo tendo uma RCV, teoricamente igual à de Valentino, não tem a estrutura e o poderio que o time Repsol – que é ligado diretamente ao HRC – tem. Aliás, Gibernau foi, junto com o italiano Loris Capirossi, o protagonista de um emocionante duelo pelo 3° lugar. Capirossi (estreando um novo quadro e uma nova suspensão dianteira em sua Ducati Desmosedici), fez a pole largou bem mas depois perdeu a posição para Biaggi, Valentino e na seqüencia para Gibernau. O espanhol passou a maior parte da prova à frente do italiano e com uma vantagem segura sobre este, só que sua RCV evidenciava que não estava bem ajustada para o circuito português.

'Macio' Melandri conseguiu seu melhor resultado até aqui na MotoGP.

Nas últimas voltas Capirossi se aproximou (neste momento fez a volta mais rápida da prova) e os dois fizeram a última volta trocando posições, até que o italiano fez a última curva antes da reta final colado na rabeta da Honda do espanhol e aproveitou o embalo proporcionado pelo vácuo para superá-lo na linha de chegada por apenas 2 centésimos. Realmente um final emocionante.

Capirossi mantém a 4ª colocação geral com 113 pontos e é o primeiro não-Honda na tabela. Ele não tem condições de título e vai ser difícil até um terceiro lugar final, assim a briga dele vai ser contra seu companheiro Troy Bayliss (que foi apenas o 6° colocado com uma moto que não correspondeu) que tem 106 pontos, para ver quem será o 4° lugar no final (posto outrora cativo do nosso Alex Barros...) e o melhor piloto Ducati nesta sua excelente temporada de estréia.

O japonês Tohru Ukawa (companheiro de equipe de Biaggi, mas apoiado pelo HRC) fez uma de suas poucas boas corridas da temporada e terminou em quinto, após vir de trás, fazer várias ultrapassagens e sustentar uma boa luta travada e vencida contra Bayliss. Melandri foi uma boa surpresa e levou sua Yamaha M1 a uma 7ª colocação após fazer uma corrida solitária e sem erros, mostrando evolução. Desta vez foi o melhor piloto da marca. No final, já sem pneus, permitiu a perigosa aproximação de seu companheiro na equipe Fortuna, o espanhol Carlos Checa – que largou mal e veio se recuperando aos poucos – ,que porém não conseguiu uma condição efetiva de ataque.

Checa e Ukawa dividem a 6° posição da tabela, ambos com 86 pontos, enquanto Melandri está ainda muito atrasado na classificação. O japonês ambiciona, no máximo, a se aproximar das Ducati, quem sabe ultrapassá-las (o que vai ser difícil), enquanto o espanhol já se contentaria em continuar sendo o melhor piloto Yamaha do ano, e olhe lá. Quando eu falo que ser o melhor da marca já é o bastante, é porque hoje a marca dos três diapasões está bem atrás de suas maiores rivais e não parece ainda em condições de reencontrar o caminho da competitividade perdida, apesar de todos os esforços feitos.

O “rookie’ norte-americano Nick Hayden (companheiro de Rossi no Team Repsol), continua seu ano de aprendizado e melhorando gradativamente suas performances. Ele e o japonês Makoto Tamada (com uma RCV 2002 do Team Pramac-Bridgestone), fizeram uma corrida de recuperação em dupla, após más largadas, e vieram ultrapassando todos até chegarem às 9ª e 10ª posições respectivamente. No final o americano se livrou do japonês e partiu ao ataque sobre Checa, chegou a se aproximar mas a corrida acabou antes que o piloto da Honda pudesse tentar algo. Hayden é o nono na classificação, com 74 pontos, 2 a menos que nosso Alex Barros.

Duas Yamaha chegaram em 12° e 13° lugares respectivamente e colados um ao outro, com apenas 0.6 segundos a separá-los. A semi-oficial (2002) de Shinya Nakano, do time Laglisse-D’Antín, e a oficial de Olivier Jaque, companheiro de Alex Barros no Team Gauloises. O interessante é que o japonês foi o 5° no grid, logo à frente do francês, e na corrida ambos foram logo para as profundezas da classificação de onde não mais saíram. Parece que ambos tiveram problemas de pneus, uma praga que se abateu sobre as M1. Em tempo: os dois também estão próximos na classificação geral, com Nakano em 10o (69 pontos) e Jacque em 11o, com 58 pontos.

As duas Aprilia RS Cubo vieram na 14ª (Colin Edwards) e 15ª (Noriyuki Haga) colocações, mas muito separados entre si. O americano chegou próximo a Jacque, enquanto o japonês, bem mais atrás, levou um tremendo sufoco de Kenny Roberts no final. A marca italiana deu uma estagnada nestes últimos GPs, talvez esteja faltando grana para o desenvolvimento. A solução parece ser a extinção dos times oficiais na 250 para o ano que vem e passar a se concentrar mais na categoria rainha, como as outra estão fazendo.

As duas Suzuki também chegaram em dupla (16° e 17° lugares), com Roberts à frente de John Hopkins. Realmente pau que nasce torto, morre torto, e um quadro mal concebido e sem condições de acerto acabou com a temporada da marca japonesa. Vamos ver se eles acertam para 2004, mas sem Roberts, que está contando os dias para o fim da temporada.

A dupla das Petronas KR 5 (Jeremy MacWillians e Nobuatsu Aoki), também veio em tandem – 18° e 19° – e o único intuito da marca é continuar testando para o próximo ano. A melhor, e única, Kawasaki no final foi a de Andrew Pitt (Gary MacCoy não terminou e Alex Hoffmann não participou), que cruzou em 20° lugar, um pouco à frente da WCM de De Gea, o último a chegar. A Kawa ZZX R continua com sérios problemas de dirigibilidade e para sair deste buraco vai ter de rever sua parte ciclística, principalmente os pneus Dunlop, um dos maiores responsáveis pelo mau desempenho das “verdinhas”.

O último parágrafo eu deixei para o nosso Alex Barros, que fez uma corrida apenas regular chegando em 11° lugar. Ele largou em 12° lugar e foi ganhando terreno aos poucos, chegando a ocupar por algum tempo a 8ª colocação. Parecia até que poderia melhorar pois começou a se aproximar gradativamente de Melandri, até que começou a perder rendimento sendo ultrapassado seguidamente por Checa, Hayden e Tamada.

Nosso conterrâneo disse que a sua M1 até que não estava mal, porém a equipe Gauloises e ele erraram na escolha dos pneus (macios demais) e deu no que deu. Apesar de tudo – Yamaha que não se encontra e seus vários problemas físicos – acho que Alex está dando provas de grande profissionalismo e continua lutando contra todos estes contratempos com grande coragem e espirito de luta.

A missão dele agora é se recuperar fisicamente para fechar a temporada com resultados à sua altura e, pelo menos, ser o melhor piloto da marca, o que ainda é bem possível pois é o oitavo no certame com 76 pontos, só 10 a menos que Checa, o sexto. Quem sabe a recuperação começa aqui em Jacarepaguá? Um pódio significaria para ele e para nós quase como um campeonato inteiro. Vamos torcer.

Como todos sabem, o próximo GP é aqui no RIO DE JANEIRO, circuito que Valentino Rossi costuma andar bem. Vamos ver se Biaggi e Gibernau conseguem diminuir a vantagem do “bambino d’oro”, e vamos ver também as já famosas Ducati Desmosedici ao vivo e a cores. Não podemos esquecer de Barros, que pode crescer com o apoio da torcida. Enfim, temos todos os ingredientes para ter um dos melhores GP do Rio dos últimos anos. Não dá para se perder.

250: Elias vence e se aproxima de Poggialli

Toni Elias

O jovem espanhol Toni Elias venceu de forma categórica o GP do Estoril, mesclando velocidade e sentido tático para levar vantagem sobre um grupo que tinha mais 4 pilotos, todos em condições de vitória. O piloto da Aprilia RSW oficial (Team Master-Aspar/Telefônica), largou na pole mas não conseguiu despachar logo seus 4 adversários (Poggialli, De Punyet, Rolfo e Porto), assim escolheu a tática de esperar a melhor oportunidade, apostando no desgaste prematuro do equipamento de seus rivais. Ele sabia que sua moto estava muito bem acertada para o circuito português e seria apenas uma questão de tempo até sua oportunidade surgir. E a tal oportunidade aconteceu na 13ª das 26 voltas, quando ele passou por Sebas Porto – então líder do grupo – e a partir daí foi só abrindo vantagem sobre o grupo que lutava à faca pelo 2° posto. No final Toni cruzou a linha de chegada com quase 5 segundos sobre o vencedor do duelo pelo 2° lugar, Manuel Poggialli.

Esta luta pelo 2° lugar é que foi de arrepiar. Duas Aprilias – a RSW oficial de Poggialli (Team MS) e a RSR semi-oficial de Randy De Punyet (Team LCR/Safilo-Oxido) – mais as duas Honda RSW “oficiais” de Sebas Porto (Telefônica Jr) e Roberto Rolfo (Fortuna), foram as estrelas deste show de ultrapassagens que durou até a última volta.

Nenhum dos 4 poupou nada, e ao ultrapassarem a linha iniciando a volta derradeira Poggi (que nesta altura da corrida tinha feito a volta mais rápida) vinha à frente de Porto, Rolfo e De Punyet, este um pouco mais afastado. Rolfo ultrapassou Porto numa freada suicida no fim do retão, só que o argentino não se rendeu e tentou o revide. Na freada da 1ª perna do “S” lento, Porto tentou por dentro mas o italiano fechou a porta e ambos se tocaram. Porto caiu e Rolfo não, só que este teve de abrir a trajetória e foi ultrapassado por Punyet, que ganhou de presente o 3o degrau do pódio e completou um pódio todo da marca italiana. Rolfo chegou em 4o e Porto ainda conseguiu o 5o lugar, mesmo apertado por Franco Battaini, com sua Aprilia semi-oficial do time Campetella. Um final de matar !

Após Battaini, o sexto, veio seu companheiro de equipe, o francês Silvain Guintoli, que se aproximou muito de seu “chefe” no final, porém sem chegar a ameaçar. Na cola do francês veio o japonês Naoki Matsudo com a única Yamaha TZR que conta (Team Kurz), e que fez uma boa corrida de recuperação. A grande decepção foi Fonsi Nieto, que chegou em 9° lugar à 15 segundos de Matsudo, mesmo correndo com uma Aprilia idêntica à de seu companheiro de equipe, Toni Elias. O sobrinho de Angel Nieto deve ter errado tudo no ajuste de sua Aprilia oficial ou então ficou muito emocionado com a 1a vitória de seu primo, Pablo, nas 125.

O espanhol Alex Debon foi mais uma vez o melhor piloto entre as Honda privadas (Team By Queroseno) chegando em 10° lugar, após lutar e vencer a disputa contra a Aprilia privada (Team Motoracing) do australiano Anthony West, que após sua 1a vitória, nunca mais se encontrou e só tem obtido resultados medianos.

Sebas Porto quer repetir a vitória do ano passado no Rio.

Esta importante vitória de Toni Elias (a segunda do Team Aspar no mesmo dia, depois de Pablo vencer na 125) embolou de vez o campeonato, e embora Poggi ainda mantenha a liderança, seus 165 pontos não são suficientes para ele dormir tranqüilo, já que Elias – o novo vice-líder – tem 151 pontos, Rolfo tem 148, Punyet 146 e Nieto tem 143. Ou seja, qualquer um dos 5 tem condições de chegar ao título, pois uma diferença de 22 pontos em 125 possíveis é tecnicamente quase nada, ainda mais sabendo do grande equilíbrio entre estes pilotos à cada GP.

É certo que nesta briga final, as 4 Aprilia levam vantagem técnica sobre a Honda de Rolfo, mas este está sabendo compensar esta desvantagem com muita raça e se aproveitando bem das sobras que sempre acontecem na luta entre os Aprilia-boys. Já Franco Battaini, com 117 pontos, Porto e West, estes com 104, não tem chances de lutar pelo título, mas podem tentar chegar ao final entre os 3 primeiros, principalmente Porto que tem subido de produção nestas última etapas.

Falando no argentino, ele declarou após a corrida que realmente cometeu um erro e bateu em Rolfo por pura precipitação. Foi ao box do italiano desculpar-se e este, no mais puro cavalheirismo, creditou tudo a “coisas normais de corrida”. Quanto a seu equipamento, o piloto argentino diz que sua Honda RSW é um pouco inferior à de Rolfo – que recebe mais atenção do HRC – mas não é isso que faz ele andar atrás do piloto da equipe Fortuna, mas sim porque ele e a equipe não estão conseguindo acertar a moto. Se conseguirem isso (é um pouco tarde, né não?) dá para encarar uma luta de igual para igual com seu companheiro de marca, embora ainda vão ficar devendo em relação as Aprilia oficiais ou semi.

Ano passado Porto ganhou no Rio em condições “especiais” de piso e temperatura. Vai ser difícil repetir este ano, até porque a concorrência – com Poggialli, De Punyet, Elias, Nieto e Rolfo – está na ponta dos cascos, mas o argentino vai tentar e, quem sabe, poderemos ter duas vitórias sul-americanas em Jacarepaguá no próximo Sábado, dia 20/09. Não custa sonhar.

125: 1a vitória de Nieto e Pedrosa aumenta sua vantagem

Ui, que estreava pela Gilera, acabou se envolvendo no
acidente que obrigou a realização de uma 2ª largada nas 125cc.

A corrida das oitavo-de-litro teve a disputa pela liderança mais acirrada entre todas as três categorias, como geralmente acontece. A luta final foi a dois e não entre um bando deles, como normalmente acontece, mas foi boa pacas e o mais emocionante é que ambos eram companheiros da mesma equipe, a Aprilia-Master Aspar.

Os duelantes eram os espanhóis Hector Barberá, um adolescente de 16 anos e já vencedor de seu 1o GP este ano, contra o mais velho (23 anos) Pablo Nieto, filho do legendário Angel Nieto – 11 vezes campeão do mundo –, que ainda não venceu nenhuma vez e estava desesperado por esta 1a vitória, depois de vários anos e GPs batendo na trave.

Os dois começaram a corrida no bolo de 12 pilotos que lutou compactamente desde as primeiras voltas da corrida. Os pilotos, além da dupla Máster Aspar, eram; o pole Alex De Angelis (Aprilia-Racing World), Daniel Pedrosa (Honda-Telefônica Jr), Andrea Dovizioso (Honda-CE BA Corse), Thomas Luthi (Honda-Elit), Stefano Perugini (Aprilia-Abruzzo), Steve Jenkner e Gabor Talmacsi (ambos da Aprilia WWC), o redivivo Arnaud Vincent (agora com a Aprilia-Fontana, no lugar de Youchi Ui, demitido), Lucio Cechinello (Aprilia-LCR) e Jorge Lorenzo (com a Derbi finalmente andando bem).

Barberá largou da 23a posição do grid, mas surpreendentemente logo estava lutando na ponta deste grupão, enquanto Nieto – que largou em 5o – optou por economizar o equipamento no início da prova e assim começou na rabeira e foi ganhando posições aos pouquinhos.

Vencedor no Rio em 2002, Masao Azuma não
vem obtendo bons resultados esse ano.

A luta era serrada entre os 12 e, aos poucos, alguns foram sobrando, como; Luthi, Cechinello e Perugini (este levou junto Dovizioso que ainda voltou à prova, mas bem atrasado) que caíram, e também Jenkner, que teve problemas mecânicos. Os que sobraram formaram dois grupos, com Barberá, Nieto, Pedrosa e De Angelis, enquanto 2 segundos mais atrás vinham Lorenzo, Vincent e Talmacsi.

Nas duas últimas voltas a dupla da equipe Master Aspar despachou seus perseguidores, com Barberá mais tempo no comando. Aí começou uma verdadeira e espetacular batalha que só terminou na linha de chegada, com Nieto levando vantagem por apenas 22 milésimos sobre Barberá. Realmente um final de matar, que o digam Jorge “Aspar” Martinez e Angel Nieto, que quase enfartaram com seus dois pupilos se degladiando neste final histórico. Afinal foi a 1ª vitória de Pablo Nieto e a 1ª dobradinha da equipe na categoria.

Foi legal ver a emoção do velho Angel vendo seu filho realizar o grande sonho de ambos. Agora vamos ver se Pablo engrena e dá mais outras alegrias a seu velho pai e, é lógico, a ele mesmo e a equipe. Bom também que se fale da grande corrida de Barberá, que está crescendo prova a prova, e que perdeu por apenas um detalhe. Este é mais um dos novíssimos espanhóis que tem um imenso futuro pela frente.

Três segundos após chegou Alex De Angelis que ganhou, por 2 décimos, o duelo contra Pedrosa pelo último degrau do pódio. O samarinês está numa fase ascendente e não tem errado mais como antes. Pedrosa foi o 4°, mas não quis se arriscar demais, afinal alguns de seus maiores adversários estavam fora. Correu com a cabeça, no que está absolutamente certo. Os ares da Aprilia fizeram bem a Arnaud Vincent que em sua primeira prova após deixar a problemática KTM venceu o duelo contra Lorenzo e Talmacsi, nesta ordem. O campeão do mundo somou nessa prova quase tantos pontos quanto já havia computado na temporada inteira sobre a maquininha austríaca...

Arnaud Vincent levou seu n° 1 para a Sterilgarda
Aprilia e levou a máquina privada ao 5° posto.

Destaque para o adolescente espanhol Andrea Dovizioso, que está levando a Derbi no braço. Ele conseguiu se recuperar e ainda chegou em oitavo. Decepcionante foi o 14° lugar de Mika Kallio – que tinha levado a KTM a um ótimo e esperançoso 5° lugar em Brno –, enquanto seu companheiro de time, Roberto Locatelli, foi o 11° colocado. Será que aquele bom resultado foi só fogo de palha?

Estes resultados foram ótimos para Pedrosa que, com seu 4° lugar e o abandono de alguns de seus perseguidores, aumentou ainda mais sua vantagem sobre o ainda vice-líder, Stefano Perugini (um dos não que terminaram), que subiu de 25 para 38 pontos (175 contra 137). Ainda é cedo para se pensar em título, afinal são 125 pontos ainda em jogo, mas já dá para se correr táticamente a partir de agora.

Alex De Angelis está se recuperando no campeonato e já pode pensar pelo menos no vice-campeonato, afinal tem agora 124 pontos e vem passando por um melhor momento que Perugini. Pensar em campeonato já é uma outra estória. Dovizioso, com 120, e até Nieto, agora com 113, também podem sonhar com o vice, não mais que isso. Cechinello continua com 105 e Jenkner com 98, ambos já chegaram a liderar e, hoje, depois de várias corridas em “zero”, o máximo que podem sonhar é um lugar entre os três primeiros, e olhe lá. Barberá começou discretamente o campeonato e com o crescimento nos últimos GP já empatou com Jenkner na 7ª colocação, e com tendências a melhorar.

A nota triste do GP português foi o tombo de Youichi Ui, que fazia sua primeira corrida pela Gilera após ter sido demitido da Aprilia-Fontana. Ele se envolveu num acidente com Gino Borsoi ainda na 3ª curva da 1ª volta e assustou a todos ao obrigar a paralização da corrida para que a ambulância pudesse entrar na pista e retirá-lo. Na Clínica Mobile foi constatada uma leve concussão, que o impediu de retornar para a 2ª largada mas não deve deixá-lo de fora da prova do Rio.

Vamos torcer também para que o GP Brasil da categoria confirme as expectativas e seja daqueles bons, já que os ingredientes para isso são vários. E a pergunta principal para esta prova é: será que Pedrosa vai conseguir aumentar sua vantagem ou a turma dos furiosos vai armar alguma para cima dele? Realmente, este GP carioca promete supresas, basta lembrar que no ano passado o vencedor foi Masao Azuma, que em 2003 nem aparece entre os top-15 do campeonato...

Bom galera, nosso próximo compromisso será no próximo dia 20/09, em Jacarepaguá, e todos nós estaremos lá para extravasar nossa paixão pelo motociclismo. Espero todo mundo lá, para que possamos fazer um grande espetáculo e torcer por nosso maior piloto, Alex Barros.

Então está tudo combinado e espero vocês em Jacarepaguá.
Um abraço a todos.
Marco Tulio Bezerra